ECOLOGIA NUMA HORA DESSAS?


(Imagem: New Retail)

Lembrei de 2008, quando alguns irresponsáveis quebraram os mercados mundiais: o tema da ecologia, até então uma prioridade planetária, ficou perigosamente em segundo plano.

Afinal, quem pode pensar em um mundo verde quando o planeta está no vermelho?

E a miopia está acontecendo de novo. Preocupados demais com a crise política e financeira no Brasil, com a retração chinesa e com a alta dos juros e do dólar, fica mais fácil reduzir investimentos e esquecer que precisamos cuidar da nave espacial que nos conduz pelo universo. Ações vitais de sustentabilidade começam a ser esquecidas, ou relevadas, tudo em nome da sobrevivência econômica. Sabemos que é imperativo vender mais, gerar mais empregos e lucros, garantir o futuro. Só que muitas vezes esquecemos que o futuro não está só na renda, mas numa construção viável, limpa e renovável das vidas futuras.

Também em épocas de crise financeira imperam as responsabilidades delegadas. São campanhas e mais campanhas de redução de consumo de energia, água, recursos, sempre culpando o consumidor, enquanto que os grandes gastadores seguem com as mesmas práticas de desperdício. Os maiores consumidores de água estão na agricultura sem precisão, na indústria sem responsabilidade pelo produto final, nas tecnologias rudimentares, nas instituições públicas que não se preocupam com o coletivo. Não é o prazer do seu banho demorado que vai fazer a água ficar mais cara e mais rara, mas os canos deteriorados nas cidades que jogam fora silenciosamente milhões de litros de água potável; ou aquela indústria que fala em inovação de produtos e projetos de marketing, mas gasta água em excesso em seus processos de resfriamento. E por aí vai.

Sempre defendi a tese de que a indústria deveria assumir a responsabilidade sobre o descarte de suas embalagens, se associando aos concorrentes para gerar usinas de coleta e reciclagem, reduzindo volumes e reciclando muito mais do que hoje é possível. Indústrias de bebidas e alimentos, de medicamentos, de plástico e embalagens, entre tantas outras, poderiam gerar milhares de empregos especializados em reutilização e reaproveitamento. Além da admiração genuína por parte dos consumidores, teríamos uma significativa diminuição na poluição das fontes hídricas, reduzindo o custo de purificação da água. Ponto para o planeta.

Mas não podemos nunca esquecer nossas responsabilidades individuais. Fazer a sua parte nunca foi tão importante, significa que você vai fazer a diferença, mesmo que mais ninguém fique sabendo que você é um herói da ecologia.

Portanto, ficam aqui algumas dicas que podem ser aplicadas todos os dias em nossas vidas: comprar de fornecedores perto da sua região significa menos transporte e menor consumo de combustível; separar, lavar e amassar suas embalagens representa um menor gasto de energia na reciclagem e uma enorme redução no volume do lixo; tente reaproveitar ao máximo, até mesmo aquele prato usado no buffet, que reduz o uso de detergente; não seja tão consumista, mas também não abandone o imenso prazer de comprar, encontrando as melhores ofertas dos seus produtos mais queridos; desligue lâmpadas e aparelhos eletrônicos que você não está usando; se possível, reduza a utilização de ar condicionado e regule seu carro para evitar queima poluente de combustível; experimente lavar menos o seu carro; se você é fumante, saiba que a bituca de cigarro jogada na rua produz um volume absurdo de sujeira, além de produzir poluição visual; conserve a calçada da sua casa limpa e segura, mas por favor não lave com mangueira; reforme ou doe roupas que você não usa mais.

E poderíamos seguir com uma lista infindável de atitudes individuais positivas na preservação do meio ambiente, mesmo que o ambiente político e econômico continue dominando o noticiário. Mas o mais importante é saber que toda vez que atuamos de acordo com nossas consciências nos tornamos mais humanos, nossa mente se amplia e nosso coração fica mais leve.

MIGUEL CASAGRANDE

Diretor comercial e ombudsman da empresa, é o responsável pela filosofia de atendimento e estratégia da CDA.

Os artigos apresentados e assinados não refletem necessariamente a opinião da CDA Design, mas demonstram a diversidade de ideias que respeitosamente defendemos.

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